segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sou eu, sou feliz.

Às vezes não me sinto satisfeita comigo mesma. Talvez seja porque me esqueço das coisas boas que tenho. 
É como alguém que vive na sua própria casa. Consegue sempre notar tudo o que está fora do sítio, mal limpo, desarrumado, com pó, etc. Mas quem não está lá constantemente olha para a casa como um todo e não repara tão facilmente nesses pormenores. Obviamente que se algo estiver demasiadamente desarrumado, qualquer pessoa vê. O mesmo se passa com as pessoas. Mas quando não é assim tanto, facilmente passa despercebido e a casa parece muito limpinha, arrumada, nova. Se calhar o mesmo se passa com as pessoas. Estamos tão habituados a nós mesmos, a sabermos o que pensamos, a sabermos quando tivemos preguiça de fazer isto ou aquilo, a sabermos quando podíamos ter feito melhor e não fizemos, ... Deve ser isso... e, depois, há que ter noção que há determinadas coisas em nós que não podemos mudar, mas essas... (*sorriso*) são o que nos constitui, são o que faz parte de cada um de nós e, na verdade, quem realmente gostar de nós vai gostar pelo que somos num todo. Ninguém diz que "eu sou amigo desta pessoa porque ela é simpática e engraçada, mas no que toca a ser inteligente já não sou". Ok... estupidez completa. É claro que ninguém diz isto. E eu pareço uma parva ao estar para aqui a divagar coisas tão tonas aparentemente. No fundo é só um exemplo muito exagerado para poder chegar à minha conclusão. Todos temos qualidades e defeitos. Há sempre qualquer coisa em que podíamos ser diferentes, mas não somos. Não seríamos nós. Se todos tivessem todas as qualidades existentes e não tivessem nem um defeito então... seríamos todos iguais? - à excepção da parte física claro. Não sei.
De qualquer forma, se há coisas em que podemos e devemos mudar, mudemos então. Mudemos p'ra melhor. Se não for assim, "esqueçamos" isso. Do tipo, - Ok, não sou a melhor pessoa do mundo, mas ninguém é. Sou assim, sou assado, e daí? Não me resumo só a isso. Tenho mais isto, isto e aquilo. Tenho qualidades sim. Porque não aproveitá-las em vez de me lamuriar com o que não tenho ou com o que tenho que não gosto? Temos que aprender a gostar de nós mesmos. Isso só nos fará bem. Faz de nós confiantes, faz de nós credíveis. Torna-nos mais aceitáveis perante a sociedade, porque se não formos nós a confiar em nós mesmos, quem confiará? Mas nunca esquecer de sermos nós mesmos e sermos felizes com quem somos. Haverá quem se identifique mais com a nossa maneira de ser, quem seja indiferente, quem reprove totalmente, mas ninguém será "tu" e a opinião de ninguém irá fazer com que a pessoa que és seja inferior. Contudo, não nos sobrevalorizemos. É precisar saber ter sal e pimenta na medida certa, pois tudo o que é demais é moléstia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

É enorme o carinho que te tenho, o sentimento que nutro por ti. Sorte a minha teres passado pela minha vida e teres permanecido. Sorte a minha ter pensado que nunca te amaria e afinal depois me ter apaixonado até o sentimento amadurecer e se fortalecer até aquilo que temos agora. Julgo ter a certeza de que não terei mais nenhum companheiro na vida a não seres tu. Pelo menos, é o que quero. Sei que muita coisa muda, porque a vida é inconstante apesar de permanente. No entanto, tenho noção do que ambos sentimos e do quão forte e bem estruturado é, por isso, confio plenamente na saúde eterna deste amor. Amar traz-nos a um nível superior, um nível em que muita coisa, que antes se ficava pela mera ficção, se torna compreensível, em que se passa a entender, a pouco e pouco, conforme as coisas avançam, todas as manifestações de carinho entre um casal. Todo o tipo de coisas, como gestos, palavras, problemas, carinhos, olhares, ... Tudo o que antes parecíamos entender por ser habitual ver, por ser a nossa cultura, por ser a forma como vemos que se manifesta o carinho entre duas pessoas à nossa volta, deixou de ser apenas isso, deixou de ser algo que apenas parecesse que entendíamos. Tudo passou a ser parte de nós, à nossa maneira, pois cada indivíduo é um ... indivíduo e, como tal, as pessoas têm diferentes formas de manifestar os seus estados emocionais, os seus sentimentos, ... Ainda assim, há uma base que assenta em todos, e por isso agora percebemos tudo, porque passou a ser uma experiência própria. Fico feliz por nós. Estás sempre comigo, quer estejas físicamente ao meu lado ou não. Sorrio mesmo sem te ver ou te ouvir ou te sentir. Basta lembrar-me de nós.
I'll never leave you
I'll never put behind
The one whose love is true
And besides, is always in my mind

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Homem da Rua

Homem que estás estendido,
com meios farrapos vestidos,
visionas calor à tua volta,
mas calor este que não te envolta.

Ninguém te sopra um bafo,
ninguém te deixa safo,
nem ninguém te dará um abraço.
Confesso que nem eu...

Se vagabundo és, não sei.
Além dos meus olhos 
há coisas que não vejo.

Não importa como chegaste a esse estado.
Todo o errante é ser humano.
E assim emerge em mim uma tempestade,
um desassossego soberano.

Parte de mim foi-se
e no meu coração impera outra alma,
como se o mal que lhe faz mal
me retirasse a mim a calma...

E decerto ma tirou,
ainda que o não conheça
e por isso me deixou 
às avessas a cabeça.

No meio de tanto alvoroço,
de toda a agitação daquelas pessoas,
há quanto tempo não terá um almoço,
uma casa e pessoas boas?

Dou por mim, inocente,
a chorar no meio da multidão,
sabendo eu, bem ciente,
que não lhe podia estender a mão.

Naquele ombro que sempre tive,
desde que fui semeada,
deito a minha cabeça, fech'os olhos
e por ela sou guiada,

porque não consegui conter 
toda a minha emoção
de ver distinguido ali a sofrer
um que dizem ser meu irmão.

Não mais a tarde será a mesma
com esta desassossegada mente,
que se emocionou ao ver à frente 
tal imagem decandente.

E os meus olhos assim choram
pela dor alheia do meu semelhante,
as minhas bochechas coram
e fico neste semblante.









quinta-feira, 1 de setembro de 2011

'sozinha'

Concentro-me em pensamentos e lembranças, que dão várias voltas à cabeça. Patente em mim está o carinho que tenho por ti. Mas esse carinho não está seguro. Ao som de umas músicas, e movida pelas minhas dúvidas, começo a sentir um ligeiro incómodo que se propaga pelo meu corpo todo como uma onda transversal. O meu rosto complacente altera-se a cada centésimo de segundo, tentando não deixar que as lágrimas que o enlagavam enevoando-lhes a vista, ainda que esta não fosse tão necessária na cálmia escuridão do meu quarto, se soltem. Sinto na minha pele uns fios húmidos levados a cabo por uma leve gota quente e, ao mesmo tempo, um pouco fria na extremidade. Vão em todas as direcções. Passam pelo meu nariz trazendo um efeito semelhante ao de um refogado de folhas de eucalipto, como se aquecesse o interior e me fizesse expelir mucosas de impurezas. Passam também pelos meus lábios e trazem-me o seu sabor salgado. Sei que me vais deixar marcas. Tanto físicas como psicológicas. Quando for velha, terei traçadas no meu rosto as linhas desenhadas pelas lágrimas que derramei. Estou desolada por esta dúvida. Não quero sequer escrever que interrogação é esta de maneira que nem me perguntes qual é. Receio que passá-la para o exterior seria como confirmar esta incerteza. Espero estar a sofrer momentaneamente apenas. Não quero chamar-lhe ‘sofrimento por antecipação’ pois isso quereria dizer que eu vou voltar a ficar triste lá para a frente.
Detesto esta voz interior que, embora sinta que sou eu mesma que formulo todas as frases que me profere mentalmente, não consigo controlá-la. Chego a pontos de dizer repetitivamente ‘não’ a mim mesma para tentar calar esta voz e as imaginações que me traz. Será ela a voz do meu inconsciente? Se for, acho que estou desregulada.  O meu cérebro não deverá estar a trabalhar bem. Porque deixas passar à minha consciência aquilo que só deveria pertencer ao inconsciente? Talvez seja eu a querer prever tudo o que possa acontecer. A querer entender tudo para não sofrer depois. Tenho que arranjar certezas. Mas no meio disto tudo, ainda estou eu aqui a chorar. O meu peito enche-se e esvazia-se bastante, soltando com ele uma respiração forte. É como se enchesse um balão. Depois de tanta agitação interior, sinto finalmente acalmar-me. Na minha face deslizam apenas as lágrimas que sobram e eu começo tenuemente a adormecer.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Selecciona e e tornarás as cores mais esperançosas



Não sei o que fazer. Parece que tudo vai correr mal. Parece que de repente nada pode melhorar. Tudo o que havia era bom, era razoável e queria-se melhor. Agora tudo parece ter só a possibilidade de piorar. Aquilo que, ainda que a muito custo, parecesse garantido, deixa de ser agora para mim. Não sei mais que rumo vou tomar. Não sei mais que caminhos me vão aparecer para percorrer, não sei mais com o que posso contar. Não sei sequer se me sinto bem. Não sei se deveria. Ainda não caí ao fundo, mas pensar que estou na esquininha do poço, já inclinada para cair, e apenas presa à cintura por um fio muito fino e fraco, leva-me a crer que a qualquer momento posso cair. Qualquer momento, na realidade, pode ser não um segundo, mas sim uma questão de dias ou poucos meses. Mas nem tudo são lamúrias. Já me virei cuidadosamente para trás, presa nesse fio, e tentei engrossá-lo com os recurso que tenho. Tentei enfortecê-lo. Por agora ainda não notei nenhuma diferença. Continuo a sentir-me presa pela mesma intensidade com que o fraco fio me segurava. Resta saber se há diferença depois na sua consistência. Será que no momento em que a gravidade não perdoar mais e me puxar fortemente para baixo aquele fio ainda terá resistência para me manter segura? É isso que eu não sei. Não sei se a minha tentativa de me salvar terá servido para alguma coisa ou se terá sido em vão. Pelo menos, enquanto o fiz, distraí-me aqui no alto deste poço. Mas e se o fio não tiver mesmo mais força e eu cair? Não há mais ninguém aqui que me possa dar a mão para que eu me mantenha ao nível normal e não me afunde poço abaixo. Eu não quero ir para lá, porque lá o espaço é muito pequeno. Não dá para eu crescer, não dá para me movimentar, não dá para fazer uma vida normal. Uma vez caindo lá, será muito difícil atingir a superfície. O ar cada vez cobre mais os poços com as poeiras que vagueiam por aí. Ficarei coberta à medida que o tempo passe e só me restará limitar-me à minha pobre condição de existência sem objectivo. Não quero chegar a esse ponto. E porque é que a vida me há-de dar tantos ‘nãos’ sem me conceder nenhum ‘sim’? Não justificarei este texto. De forma nenhuma. De nenhuma forma que esta palavra possa ser interpretada. Este texto serve-se de si só. Tem as respostas em si, ainda que escondidas nas próprias palavras. E quanto ao seu formato, deixai-o ser irregular e assimétrico, pois irregular é também o futuro que aí virá e são também as minhas dúvidas e os meus pensamentos. Deixai que este aglomerado transpareça aquilo que é. Assim mesmo, irregular, não objectivo, não claro. E em tudo isto se resume o que transcrevi do meu pensamento para um papel digital com, ironicamente, letras perfeitas.
Quanto a mim, aqui presa por este fio, ainda não posso contar o fim, porque nem eu sei como será.