terça-feira, 5 de abril de 2011

Outro eu

Tentar dar a alguém uma face diferente daquela que temos no momento é difícil. É quase como tentar que um espelho falhe a sua função de "reproduzir" a imagem que se encontra à sua frente. É uma mentira não falada, mas espelhada no nosso rosto, uma mentira do olhar. Uma mentira em que por vezes olhar para o lado ajuda num momento de fraqueza, no qual, olhando nos olhos de outra pessoa não se conseguiria esconder a verdade. É escrever a muito custo aquilo que sabemos que não é de todo o que estamos a sentir. É quase como ser actor. Há uns segundos, infelizmente, tive de ser actriz.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Traição

 Apercebi-me de algo (não que o tenha atingido por uma experiência própria de acto), é de que é possível trair mesmo amando alguém, mas tudo depende da força interior que a pessoa tem.
Não é por acaso que uma pessoa vive uma vida (quase) inteira com outra e depois de ela morrer encontra outra e volta a amar e a ser feliz (nem sempre, mas existem muitos casos destes). Isso acontece porque de facto há um determinado número de pessoas no mundo que podem satisfazer os nossos gostos, aquilo que apreciamos em alguém; mas, para que não haja traição, o que se tem a fazer é, das duas uma,

se sentirmos que somos frágeis e que nos podemos apaixonar por alguém (à parte do nosso amor por uma pessoa) ao ponto de nos sentirmos tentados a trair o nosso parceiro/a, então não devemos conhecer muito a fundo certas e determinadas pessoas que a gente veja que pode gostar;

mas se temos plena consciência que sabemos separar bem isso e que mesmo que algum dia tenhamos essa tentação sabemos resistir-lhe, então aí tudo bem. Pode-se conhecer novas pessoas e até ter novos amigos, sempre com aquela resistência interior de nos lembrarmos que há alguém que amamos, que chegou primeiro, que não queremos magoar, que não gostaríamos que nos fizesse o mesmo. E lembrarmo-nos de tudo o que está para trás e da falta que essa pessoa nos faz, o quão importante é. Então aí há um amor fiel e sem traições.
Mas bom, acredito que isto seja ainda apenas a minha ideia de prematura idade. Talvez ainda nem a metade do meu percurso de vida tenha chegado para poder dizer isto. Por isso, dou tudo isto que aqui disse como uma mera ideia e não uma afirmação clara de conhecimento.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Porque és tão especial

- O que viste em mim para gostar de mim? nhão tenho nhada de especial...


- Tens...Tens muita coisa de especial,
Porque me fazes sentir amada, querida,
Porque aconteça o que acontecer no meu dia
Quando estou contigo estou bem
E sorrio mesmo que haja tristeza interior por alguma coisa
És a pessoa que quero e necessito ter ao meu lado quando estou mal
Nos piores momentos, mesmo que gostemos muito dos nossos amigos
É como se os pudéssemos dispensar
Ou como se fosse indiferente
O que quer que fosse que eles fizessem
Para nos tentar fazer sentir melhor,
Mas contigo
Isso não é assim.
É amor,
Porque amo os meus pais
E quando estou mal,
Quando uma criança está mal,
Apesar de se calhar os pais não conseguirem fazer nada
É como se a presença deles melhorasse alguma coisa
E contigo, não sendo uma relação de progenitor,
É um amor diferente
De cumplicidade,
De carinho,
De união,
De entendimento,
Inter-ajuda...
Tudo junto
Em olhares,
Em toques,
Em palavras...
E tudo isto é o que sinto por ti.
E é querer-te bem
E que nada de mal te aconteça
Acima de qualquer circunstância.
É isso que tens de especial
Gostares tanto de mim e fazeres-me gostar tanto de ti
E eu saber que posso confiar nesse sentimento.
Continuas a achar que não tens nada de especial? :3

Dá-me...

Dá-me...
Dá-me isso que tens aí,
Abaixo do teu nariz.
Esses lábios carnudos que quero sentir...
Com o cheiro da tua boca...
O toque da tua língua...
O carinho do teu sentimento por mim.
Dá-me tudo isso,
Num beijo só.
Dá-me.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Amor à primeira vista? (Love at first sight?)

Certamente não é este um tema de que nunca tenham, pelo menos, ouvido falar. Não é algo que nunca tenha acontecido na cena de alguns filmes. Não é também algo que não tenha opiniões diversas e por isso, decidi publicar a minha OPINIÃO sobre este assunto (a qual apoio a 100% sem margem para dúvidas que é a correcta, digam-me o que disserem!).
Portanto, recapitulando, é sobre 'amor à primeira vista' que irei explanar.
Em primeiro lugar, para se afirmar que existe amor num primeiro contacto com alguém é preciso saber o que é o AMOR. Posto isto, será o amor uma atracção física? Somente isso não! Nunca. Nem metade da percentagem lhe pertence, digo eu.Agora eu pergunto, quando vemos pela primeira vez alguém, qual é a única coisa que vemos? O seu exterior. Até podemos ficar com uma ideia de como a pessoa poderá ser interiormente e essa ideia, quem sabe, até poderá estar certa, mas trata-se de um mero acaso.
Eu não vou desenvolver muito o que é (para mim) o amor pois já o fiz num outro texto aqui do blog, mas, o que posso dizer é que para amar alguém é preciso conhecê-la muito bem. Muito bem mesmo. E agora alguém pode pensar "Então e quando alguém ama alguém e depois vem a descobrir que essa pessoa só lhe mentia e que na verdade nunca a chegou a conhecer verdadeiramente?". Não é muito difícil de responder. Para amar temos de conhecer, mas, a pessoa não sabe que o Outro não é assim como faz parecer aos olhos de outrém, logo, a pessoa ama 'aquilo' que pensa conhecer. Na verdade, se conhecer o verdadeiro âmago do Outro, poderá deixar de o amar pois as novas características que lhe são atribuídas não satisfazem o ser da pessoa podendo até desiludi-la. Assim, penso que está claro que a minha opinião quanto a este assunto é de que o amor não existe num primeiro contacto visual com o Outro. Amar é muito mais profundo, vai muito mais além do que aquele primeiro olhar cúmplice, do que aquela aparência atractiva e desejável, do que aquela simpatia inicial. Vai muito mais além disso tudo. Vai ao âmago do Outro. É conhecer bem a outra pessoa, gostar do que conhece na sua maioria (não significa que seja na totalidade, pois quem ama verdadeiramente consegue ver também os lados menos bons do Outro). Amar é querer estar com aquela pessoa o tempo todo e isso significa apenas saber que a presença do Outro está ali. Quer seja físicamente, num momento a sós ou acompanhados, quer seja à distância mas ouvindo a sua voz ou mesmo vendo. É querer o bem para o Outro. Amar é ser generoso, muitas vezes mais do que connosco próprios.
Se amar é tudo isto, como pode haver amor à primeira vista? Simplesmente não há. Nunca, em qualquer geração. E digo isto porque, para mim, nada tem a ver com as novas ou antigas gerações. O conceito do amor não alberga algo tão objectivo quanto isso. Portanto, aqui o problema é algumas (ou muitas) pessoas confundirem Amor com
Atracção que posteriormente CALHA de até dar em amor. É isto. É isto que as pessoas confudem por ignorância ou esquecimento...talvez falta de pensamento. Por pouco pensarem as pessoas nas coisas, não há agora outros Einsteins, Newtons, Aristóteles, Darwins e por aí fora...Ou não. Às vezes pensar demais também não é bom. «Tudo o que é demais, é moléstia.» Mas, se eu digo tudo isto aqui, se as pessoas têm opiniões, é porque pensam. Já dizia Descartes "Eu penso, logo existo.". Eu existo e toda a gente existe. Façam dessa existência uma verdadeira existência. Questionem. Abram horizontes. Vejam o âmago das coisas. Não existe amor à primeira vista. Mas pode existir uma atracção numa primeira vez que se vê alguém e, mais tarde, depois de conhecer essa pessoa, essa atracção tornar-se num sentimento mais forte e inabalável - o amor.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Tristeza Feliz de Uma Adolescente

Aqui, em qualquer lado da casa, vou vagueando no espaço, intercalando obrigações e sentimentos, olhando para tudo à minha volta, dando um pouco de mim àqueles que precisam e, no entanto, dando exactamente muito pouco. Não sei o que se passa. Tento iniciar uma procura neste motor de busca mental, mas derreto-me em lágrimas quentes por incapacidade de encontrar as respostas que procuro. Adolescência. Muito provavelmente é esta a chama envolvente e ardente que me enche a cabeça de coisas que eu não sei. Sofro sem ter pelo que sofrer, choro sem ter uma cebola em frente aos meus olhos lacrimejantes. Não tenho fome, não tenho vontade de fazer nada e ao mesmo tempo tenho vontade de fazer tudo. De ser feliz, de soltar a voz reluzente para uns ouvidos quaisquer, de movimentar o meu corpo de forma harmónica em jeito de exprimir o âmago da minha alma, de esticar os meus lábios em direcção às minhas bochechas, de oferecer o que tenho p'ra dar ajudando a minha família nas tarefas frequentes do dia-a-dia. Quero fazer planos para o amanhã. Quero ter força. Quero saber o que será bom para o futuro. Sinto como se estivesse perdida. Como se tudo o que ando a fazer seja pura e complicadamente em vão. E se eu chegar lá à frente, àquela altura... e ...
Eu não quero. Eu não suporto a ideia de fazer tudo em vão e chegar apenas a um patamar que não pedia um caminho tão longo.
Mas eu sei que não é só por isto que verto lágrimas constante e inesperadamente a qualquer altura. Há mais algo. Tento suster esta pequena porção de água e outros componentes que tentam chegar ao meu lado exterior, mas nem sempre tem efeito. E teimo comigo mesma para descobrir o que me faltará, o que estará mal. Porém não consigo ver através desse vidro. Não sei como, mas parece que lá foi parar uma folha de alumínio tão bem colada que só me vejo a mim mesma. É por isso que não consigo encontrar a resposta. Não consigo vê-la. Só me vejo a mim mesma exteriormente, embora quisesse ver o outro lado. Como esse vidro se terá tornado num espelho eu não sei. Se pudesse, retirava essa folha cinzenta que lá foi parar.
Tristeza feliz. Tenho uma tristeza feliz porque, no fundo, de que sofro eu? Quantos milhões de pessoas não estão neste momento a sofrer a vivo sofrer?! E eu aqui nesta futilidade meia compreensível que foi trazida pela idade. Mas há que ultrapassar. Por isso escrevo desenfreadamente tentando acompanhar com a escrita as minhas ideias para soltar esta trama. E alivio-me...
A certa altura, começo a olhar para o meu texto, não só como um desabafo sofrido, mas como uma obra de expressão para leitura de qualquer um e em que se pode denotar todas as metáforas e contradições que muito facilmente me foram saindo devido à intensidade com que soltei o meu interior. E no fim, tudo são apenas...palavras.