quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Tristeza Feliz de Uma Adolescente

Aqui, em qualquer lado da casa, vou vagueando no espaço, intercalando obrigações e sentimentos, olhando para tudo à minha volta, dando um pouco de mim àqueles que precisam e, no entanto, dando exactamente muito pouco. Não sei o que se passa. Tento iniciar uma procura neste motor de busca mental, mas derreto-me em lágrimas quentes por incapacidade de encontrar as respostas que procuro. Adolescência. Muito provavelmente é esta a chama envolvente e ardente que me enche a cabeça de coisas que eu não sei. Sofro sem ter pelo que sofrer, choro sem ter uma cebola em frente aos meus olhos lacrimejantes. Não tenho fome, não tenho vontade de fazer nada e ao mesmo tempo tenho vontade de fazer tudo. De ser feliz, de soltar a voz reluzente para uns ouvidos quaisquer, de movimentar o meu corpo de forma harmónica em jeito de exprimir o âmago da minha alma, de esticar os meus lábios em direcção às minhas bochechas, de oferecer o que tenho p'ra dar ajudando a minha família nas tarefas frequentes do dia-a-dia. Quero fazer planos para o amanhã. Quero ter força. Quero saber o que será bom para o futuro. Sinto como se estivesse perdida. Como se tudo o que ando a fazer seja pura e complicadamente em vão. E se eu chegar lá à frente, àquela altura... e ...
Eu não quero. Eu não suporto a ideia de fazer tudo em vão e chegar apenas a um patamar que não pedia um caminho tão longo.
Mas eu sei que não é só por isto que verto lágrimas constante e inesperadamente a qualquer altura. Há mais algo. Tento suster esta pequena porção de água e outros componentes que tentam chegar ao meu lado exterior, mas nem sempre tem efeito. E teimo comigo mesma para descobrir o que me faltará, o que estará mal. Porém não consigo ver através desse vidro. Não sei como, mas parece que lá foi parar uma folha de alumínio tão bem colada que só me vejo a mim mesma. É por isso que não consigo encontrar a resposta. Não consigo vê-la. Só me vejo a mim mesma exteriormente, embora quisesse ver o outro lado. Como esse vidro se terá tornado num espelho eu não sei. Se pudesse, retirava essa folha cinzenta que lá foi parar.
Tristeza feliz. Tenho uma tristeza feliz porque, no fundo, de que sofro eu? Quantos milhões de pessoas não estão neste momento a sofrer a vivo sofrer?! E eu aqui nesta futilidade meia compreensível que foi trazida pela idade. Mas há que ultrapassar. Por isso escrevo desenfreadamente tentando acompanhar com a escrita as minhas ideias para soltar esta trama. E alivio-me...
A certa altura, começo a olhar para o meu texto, não só como um desabafo sofrido, mas como uma obra de expressão para leitura de qualquer um e em que se pode denotar todas as metáforas e contradições que muito facilmente me foram saindo devido à intensidade com que soltei o meu interior. E no fim, tudo são apenas...palavras.

domingo, 14 de novembro de 2010

Irrita-me

Às vezes olho para as raparigas e não me identifico como sendo uma delas. Há determinadas situações que me irritam...Porquê inferiorizarmo-nos? Mas o pior é que o fazem inconscientemente. Imaginem algo que habitualmente é de fácil domínio por parte dos rapazes, mas difícil para as raparigas. Todas as coisas, para
serem bem feitas, necessitam de treino e práctica. Passando a um exemplo concreto...se os próprios rapazes que conseguem dominar muito bem uma bola fazem treinos, porque hão-de ser as raparigas especiais ao ponto de não precisarem de treinar? E dizem elas indignadas mas com ar de riso como se aquilo fosse uma
mera brincadeira: "Nós não queremos estar a fazer uns simples passes", "Os rapazes estão a fazer uma coisa mais divertida!", "Que seca!", "Nós queremos é jogar à bola...fazer jogo e não estar aqui a fazer só passes...". Será que estas ignorantes já repararam que o exercício que os rapazes estavam a fazer era
bem mais complicado do que o que nos foi mandado? Mas será que aquelas coisas irritantes e convencidas não se aperceberam que se nem conseguem sequer passar uma bola em condições, muito menos conseguiriam fazer o exercício que os rapazes se encontravam a fazer? Já agora, a actividade deles era não só de passe mas também de manobra e colocação de bola. Estavam dois a três rapazes de cada lado, em campos curtinhos, divididos com uma mesa no meio. O objectivo era passarem a bola para o campo adversário por cima da mesa e tentarem que estes não conseguissem enviar a bola para o campo contrário. Upss... pois é... não tinham ainda reparado bem nisso, pois não? O exercício deles era mais difícil. Exigia não só saber passar uma bola, como também manobrá-la bem, saber receber, saber colocar a bola no campo adversário, tudo isso. E o vosso exercício meninas? Qual era? Passarem a bola umas para as outras e nem isso conseguiam fazer bem. Por amor de Deus! Eu, que até sou agnóstica, vejo-me obrigada a chamar por "Ele". É que indigna tanto ver coisas destas. Ainda assim, foi-vos feita a vontade. E então, que é desse jogo? Chuta-se com mais força do que é necessário para o tamanho que o campo tem, faz-se um passe e a seguir já é pretexto para um abanar de ancas e mais uma cantarolada. Aquilo parece tudo uma brincadeira! E eu pronto... tenho que me sujeitar a parecer tão estúpida como elas porque fala a voz da maioria. Eu não quero dizer que "vocês não prestam, não sabem fazer nada, eu sou melhor e por vossa causa passo por não saber". Nada disso. Quanto a jogar futebol não me posso contentar em dizer tal coisa porque não é verdade. Não sou das piores, mas também não jogo propriamente bem. O que me distingue é que, pelo menos, tenho a humildade em assumir que não sou boa nessa variante do desporto e não me importava de fazer uns meros passes ainda que parecesse ridículo fazer algo aparantemente simples (e que o é) e que não era tão entusiasmante, mas... paciência. Se tinha de ser porque não sabíamos fazer melhor, que assim fosse. Olhando para o campo, mesmo não sendo eu a fazer aquelas figuras, era como se fosse. eu sou rapariga, vocês são raparigas. Só me passava pela cabeça VER-GO-NHA. Pensava: "Que raio é aquilo?!" , "O que é que elas estão para ali a fazer??" "Enfim."

Abraço...


"Abraço" ... uma palavra não muito grande no português, uma palavra pequena no inglês "hug" e por aí fora...

Abraço, uma palavra desconsolante, porque me dá e tira algo...dá-me a vontade de o ter, mas tira-me isso mesmo. Quero-o físicamente.
Abraço, um acto caloroso e que me enrola na imensidão de um corpo que me recebe com alma e carinho...
A certa altura já não são duas pessoas. Sente-se apenas uma. São ditas algumas coisas de grande peso durante o abraço consoante o seu aperto e a sua forma.
Abraço, aquele que me põe mais perto de ti e, mais do que isso, dentro de ti.
Abraço, aquele que não considero como um simples "encostar desencostado"... abraçar é sentir-te física e mentalmente. Abraçar-te é receber as palavras que emites no som de um emaranhado de palavras que tendem a passar da tua para a minha mente e vice-versa. Abraçar-te é sentir o conforto do teu corpo, sentir o teu respirar, sentir o bater do teu coração, ouvindo assim o mecanismo que é o suporte da tua vida.
Por fim, faltando ainda muito para dizer, só transmito como última  frase que quero abraçar-te.

domingo, 7 de novembro de 2010

Citações de outras autorias



interpreta a imagem e vê nela mais palavras do que as escritas na frase subjacente

"Neste mundo conturbado, quem tem muito dinheiro, por mais inapto que seja, tem talento e préstimos para tudo; quem não tem dinheiro, por mais talento que tenha, não presta para nada."